EXPOSICIÓN "E as veias correm..." MUSEO SOARES E ALMEIDA

Del 7 de febrero al 7 de marzo de 2020.

A imponente escadaria de pedra do Palácio bifurca-se como preza a uma arquitetura histórica, trazendo para 2020 a grandiosidade e exigências que os séculos consolidaram neste Edifício, atualmente em obras. Somos herdeiros de um passado que não foi (ou sim) nosso pelo sangue, mas pela memória imaterial que vence o habitual clima do Porto. A memória coletiva e as memorias individuais correm-nos nas veias, são o sangue que nos permite viver e amar a Arte, empurrar o património para o futuro e autorizar-nos celebrar as criações dos nossos contemporâneos. É nosso desígnio valorizar o presente nas suas lisuras estéticas e em todas as ideias que promovem os valores efetivos e simbólicos num eixo de bem comum cultural e bom senso antropo-societário.

“E as veias correm…e as veias fluem…e as veias irrompem”: eis a impositiva entrada em cena que a artista espanhola decidiu, ponderando empatias que os visitantes no Museu seguiram seguir, talvez seduzidos pelas evocações que o cenário lhes proporcione ou evoque. À semelhança do que aconteceu em Lisboa, aqui no Porto, as veias surgem, nos lanços de escadas e nos patamares, avançando entre o 1º e 2º andares do Palácio dos Carrancas para culminar no teto, olhando o grande lustre cimeiro. As veias, que permitem a respiração de pessoas e espaços, encetam novas travessias, reiterando os propósitos assegurados quando se encorparam, exaltadas em sulcos en-carnados, e alastrado pelas salas e escadaria da Casa Museu Medeiros e Almeida em novembro passado. Domesticadas por Lucía Vallejo, as veias esculpidas jorram palpitando e quietas, desafiando a causalidade. São pulsáteis, vibram num movimento duplo de sístole e diástole. A carne desprende-se, afasta-se e entende-se a alma da casa, desocultada em sublimidade barroca. 

© 2018 Lucía Vallejo